O que está acontecendo com o nosso país? É a pergunta que faço depois de acompanhar tantos casos envolvendo jornalistas e quebra de informações sigilosas, num claro “flagrante de agressão a Constituição”, como bem disse Reinaldo Azevedo, em sua coluna no site da Veja, em 21 de março de 2017, quando comentava o crime que foi cometido contra o blogueiro Eduardo Guimarães.

Na época, o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, determinou a condução coercitiva do blogueiro, com o objetivo de quebrar o sigilo da sua fonte e expor para Policia Federal quem havia lhe antecipado a informação da condução coercitiva do ex-presidente Lula.

Reinaldo, na ocasião, foi enfático ao dizer que a ação realizada pela polícia federal estava ferindo três dispositivos da Constituição Brasileira.

• É o que dispõe o Inciso IV do Artigo 5º: “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.

• É o que dispõe o Inciso XIV do mesmo Artigo: “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.

• É o que dispõe o Artigo 220: “A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”.

Esse trecho extraído do texto de Reinaldo explica que o bloqueiro sofreu uma ação inconstitucional, ao ser levado coercitivamente para que o juiz soubesse quem é a sua fonte, entretanto, de forma igualmente arbitrária, o jornalista Reinaldo Azevedo teve o seu direito Constitucional ferido, ao divulgarem o áudio da sua conversa com Andrea Neves, irmã de Aécio Neves.

Mesmo que Andrea Neves não fosse uma fonte para Reinaldo, essa era uma conversa que não tinha a necessidade de ser divulgada, já que eles não estavam cometendo nenhum crime, mas o assunto foi divulgado, assim como em 2016, foi divulgada uma conversa entre a ex-primeira dama Marisa Letícia e seu filho Lulinha, onde ambos faziam um comentário informal sobre os panelaços, o que também não tinha a ver com a investigação que a polícia federal estava fazendo.

No caso de Reinaldo, que é um jornalista, ele tem contatos com fontes que lhe antecipam informações que são importantes para a realização de um bom trabalho jornalístico e isso é indiferente se sua corrente política ideológica é de direita, esquerda, centro ou Palhaço Pichuruca, nome do personagem criado pelo meu amigo Marcelo dos Anjos e que atende inúmeras pessoas em hospitais aqui de São Paulo.

Enfim, ele é jornalista e o sigilo da sua fonte deveria ser no mínimo respeitado. Ele, como pessoa e como profissional de comunicação deveria, assim como o Eduardo Guimarães e a sra. Marisa, ter seus direitos constitucionais resguardados.

Contudo, vale lembrar que, segundo Shakespeare, “Há algo de podre no reino da Dinamarca”, neste caso, no Brasil. Onde estamos vivenciando uma espécie censura abertamente velada, se posso dizer dessa maneira, em que dois dos maiores jornais do País, A Folha de SP e o Globo, foram calados no caso que envolve o roubo das informações do celular de Marcela Temer.

Recentemente Michel Temer (PMDB) proibiu o uso de suas fotos oficiais para a produção de memes na internet, o que pode ser novamente interpretado como um grave atentado a liberdade de expressão.

O que aconteceu com Reinaldo Azevedo é inadmissível, mas é somente mais um capítulo dessa verdadeira guerra da comunicação que, em tempos de delação premiada, divulgação de material sem a devida apuração e as famosas fake news, só ajudam a piorar ainda mais a crise brasileira.

Nessa batalha que deveria ter apenas o lado do melhor para o Brasil e para a sua população, “comunicadores”, passaram a fazer um discurso de ódio que vem promovendo uma espécie de segregação política nacional, que tem como consequência a propagação da revolta popular, seja o cidadão defensor da bandeia A ou da B. O que não é saudável para a democracia brasileira.