Atualmente o Brasil vive um fla-flu sem fim. Nosso presidente ao invés de tentar apaziguar os ânimos, o que mais ele sabe fazer é apagar incêndio com gasolina, juntamente com a tropa de choque composta por seus filhos.

Apesar de alguns profissionais de comunicação avaliarem com desastrosa a veiculação que a Rede Globo fez do depoimento do porteiro do condomínio onde mora o presidente Jair Bolsonaro, no caso Marielle e Anderson, exibido pelo Jornal Nacional (JN) no dia 26 de outubro, não acredito que a matéria tenha sido uma “bola fora”, já que o próprio JN, no momento da exibição já alertava a contradição entre o depoimento, que dizia que Bolsonaro havia liberado a entrada de Elcio Queiroz ao condomínio, sendo que os então deputado estava em Brasília.

Apesar disso, passados seis dias desde a exibição da matéria, alguns desdobramentos precisam ser avaliados e questionados.

Primeiramente, é preciso concluir que pelo alcance do JN e a dimensão que esse telejornal tem, a apuração dos fatos poderia ser melhor conduzida, principalmente por se tratar de uma matéria com o peso que teve, mesmo assim a emissora fez o correto.

Todo jornalista tem fontes e, apesar de eu ser contra a divulgação de casos que estão em segredo de justiça, se a informação chegou ao jornalista sua missão é chegar a veracidade dos fatos e publicar, foi o que fez a Rede Globo, recebeu a informação e exibiu a matéria mostrando a contradição entre o depoimento e fato, mesmo defendendo que pelo peso da matéria, a apuração poderia ter sido mais aprofundada.

Mesmo assim, os desdobramentos causados pelo impacto desta notícia são muitos, a começar pela coletiva de imprensa do Ministério Público do Rio de Janeiro que, veio a público dizer que o porteiro mentiu, contudo, segundo matéria publicada pela folha de São Paulo, em 31 de outubro, a perícia nas gravações do sistema de áudio da portaria do condomínio foi feita a toque de caixa, ignorando eventuais adulterações, o que poderia ter sido checado pelo JN antes da veiculação da matéria, pois a planilha manuscrita de controle de entrada de visitantes, havia sido apreendida no dia 5 de outubro e a mídia com a gravação foi entregue à Polícia Civil dois dias depois ter acontecido a busca e apreensão na portaria do condomínio.

Essa apuração, se fosse aprofundada, chegaria facilmente em Carmen Eliza Bastos de Carvalho, uma das promotoras responsáveis por investigar os assassinos de Marielle Franco e Anderson Gomes, que fez campanha para Jair Messias e postou em redes sociais numa foto com o deputado Rodrigo Amorim, que quebrou uma placa com o nome de Marielle.

A procuradora, que teve matéria veiculada pelo site The Intercept Brasil, teve a sua parcialidade contestada e na sexta-feira (01) foi afastada do caso.

Algumas pessoas mais ligadas ao bolsonarismo, podem dizer que a matéria da Globo foi fake, mas a diferença entre uma fake news e um erro jornalístico é o CNPJ e uma demissão, o que para mim não cabe neste caso, pois a matéria, apesar de pecar na apuração, se baseia no depoimento de um funcionário do condomínio que fez anotações dos fatos no dia do ocorrido, sem saber que quem estava entrando no condomínio iria praticar um crime, o que elimina automaticamente a retórica de que o porteiro pretendia prejudicar A ou B.

Quando afirmo que a diferença entre o fake news e um erro jornalístico é o CNPJ, é porque se a Rede Globo ou qualquer outro veículo de comunicação, em 2014, tivesse publicado que a dona de casa Fabiane Maria de Jesus, 33, era sequestradora de crianças e esta pessoa fosse linchada no município do Guarujá, o veículo de comunicação seria processado pela família da vítima, o que não acontece com uma notícia falsa compartilhada pelas redes sociais.

Por isso, apesar de eu ter vários questionamentos em relação a atuação da rede Globo, não creio a emissora tenha errado, pecou em alguns aspectos.

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