Há uns anos, muitos estudantes de jornalismo entravam na faculdade com o objetivo de trabalhar em grandes veículos de comunicação, seja em rádio, televisão, jornal ou revista, o que já não era tarefa fácil, uma vez que o mercado de trabalho não suportava absorver a quantidade de profissionais que as universidades formam. Com o passar do tempo o jornalismo alternativo chamou a atenção dos formandos que passaram a buscar novas formas de se fazer o jornalismo em si, com viés mais social, focando mais no impacto que esste trabalho tem para a vida das pessoas, do que com seu retorno financeiro.
A busca pelas grandes mídias perdeu o foco, a nova geração de jornalistas tenta firmar os pés fora do midiatismo e dos clichês que rotulam os veículos de informação. Freelancer e matérias independentes tem surgido com força dentro das salas de aula, assuntos hard são pautas frequentes e contar histórias já não saciam mais a vontade de escrever.
 
O questionamento quase sempre certeiro é o que alimenta os textos com cunho cada vez mais social, “lembrar o mundo e a nós mesmos, que diversas histórias acontecem o tempo todo e que muita coisa precisa ser mostrada para começarmos a pensar em mudança. Talvez seja isso o que me faça seguir: o inconformismo”, as palavras do estudante do terceiro ano de Jornalismo, Elias Cavalcante, demonstram a preocupação entre os aspirantes a repórteres que são fisgados pela síndrome do Repórter Super Man e alimentam a utopia de ter a possibilidade de mudar a sociedade em que vivem.

Ser estudante na era do imediatismo e das redes sociais é, ininterruptamente, procurar uma espécie de reconhecimento profissional, mesmo diante da grande quantidade de informação que, minuto a minuto, circula pela internet e, acima de tudo, saber distinguir o verdadeiro e o falso por meio da investigação e da apuração dos fatos, o que é princípio básico para um bom jornalista.

Nós, e eu me encaixo nesse contexto, por sermos pessoas que queremos várias coisas ao mesmo tempo e tudo muito rápido, muitas vezes estamos com a cabeça voltada para disciplinas práticas e temos pouco vislumbre pelas áreas teóricas, pois como diz Max Milliano, o professor de graduação, “para tudo tem tutorial na internet, em que em alguns minutos você aprende a fazer. Isso é uma tendência que esperam do jornalismo, chegarcom um formula e pronto. É assim que se faz!”.

Mas é importante saber que não existe fórmula mágica e o jornalista é um profissional de extrema importância para a nossa sociedade e para o processo democrático do nosso país, pois o impacto social que as matérias podem causar, o que sempre foi motivo de preocupação para qualquer formando, hoje em dia que vivemos plenamente a era digital, esse fator ganhou um peso enorme para os alunos que estão ingressando no mercado de trabalho, seja nos veículos de comunicação convencionais ou nas diversas formas de reinvenção do modo de se fazer jornalismo que precisa ser exercido sempre com responsabilidade. Este é o foco desta futura geração.

Letícia Cabral - Estudante do terceiro ano da faculdade Anhembi Morumbi