Um projeto que nasceu em papel e virou sucesso na internet

Renato Rovai realizou, à frente da revista Fórum, o sonho de muitos jornalistas: fazer grandes reportagens investigativas e entrevistas incríveis. Ele revelou os desmandos da polícia logo após o ataque do PCC em São Paulo em 2006 e entrevistou personagens históricos como os escritores Eduardo Galeano e José Saramago, os líderes Raúl Reyes, das FARC, e Yasser Arafat, da Palestina, entre muitos outros.

Jornalista, professor, militante da democratização da mídia, blogueiro e um dos articuladores do Fórum de Mídia Livre e do Encontro Nacional dos Blogueiros, Rovai criou a Fórum em 2001, ainda em papel, Junto com três amigos - Antônio Martus, Luciano Bento e Gisela Mendonça. O objetivo era fazer a cobertura do primeiro Fórum Social Mundial (FSM), realizado em 2001 em Porto Alegre, porque ele sabia que, se dependesse da imprensa “mainstream” a divulgação do evento, se houvesse, não seria à altura de sua importância e significado histórico.

A revista vendeu nada menos que 20 mil exemplares. Animado, Rovai decidiu seguir com a publicação em papel, mas já com um site em HTML, que era distribuído a uma lista de 50 mil endereços de e-mail. Em 2013, a publicação da Fórum em papel é encerrada e fica só o digital, já que a participação na internet não parava de crescer. “Teve um momento em que passamos o Estadão durante dois ou três meses, no auge das manifestações”, conta Rovai. “Ali decidi que o site seria nossa principal”.

Hoje, o Portal Fórum é um dos mais bem-sucedidos sites de informações no campo político da esquerda, em termos de audiência, batendo em 10 milhões de pageviews por mês, afirma Rovai, com base em dados da Alexa. Mas, como toda a imprensa – tradicional e alternativa – sofre com a crise econômica e ainda está deficitário. Ele explica que adotou um modelo de negócio “híbrido”, que junta publicidade, prestação de serviços para entidades, ONGs e prefeituras. A publicidade programática (ou adsense), de entidades e governos responde por 30% a 40% do faturamento; assinantes por outros 10% a 15%, e o restante são matérias especiais patrocinadas por sindicatos e outras organizações.

 A equipe que o alimenta é pequena, são dois jornalistas, um em Santos, um em São Paulo, dois estagiários (um no Rio, outro em SP), ele e a esposa, e um profissional de vídeos. O fluxo de publicações atinge 30 a 35 matérias por dia útil, cerca de 20 nos finais de semana, parte são artigos, parte produção própria e outra parte que ele chama de “ressignificação” do noticiário. “O toque editorial de um produto como esse é muito importante, temos que dizer para o nosso leitor o que significam (as notícias) ”, afirma.

Rovai diz que sites como o dele se tornaram uma opção de leitura política em alternativa à mídia tradicional que “age como um partido político de direita, do estabilishment, do golpe”.

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