Mas o que está em xeque é o modelo de negócio, e não o jornalismo

Quando o jornalista Dal Marcondes lançou o portal Envolverde, a internet não passava de um experimento promissor. O ano era 1998 e os jornais e revistas impressos em papel ainda eram - junto com a TV e o rádio - as grandes fontes de informação no mundo. Mas outro portal nascido no mesmo ano apontava para a revolução que virou a imprensa de cabeça para baixo: o Google.

Hoje o Envolverde é um dos principais sites brasileiros sobre sustentabilidade, com aproximadamente 3,7 mil leitores por dia em dias da semana. Já recebeu dois prêmios Ethos e um Prêmio de Melhor Mídia em Meio Ambiente do Instituto Chico Mendes, entre outros. Recentemente foi apontado pela Agência Pública como um dos principais sites de mídia independente do Brasil. E Dal – que tem outros tantos anos de mídia impressa e também é um dos fundadores da APJor – se prepara para uma nova etapa de seu empreendimento cursando um mestrado em mídias digitais na ESPN.

Com vinte anos de estrada digital, Dal acredita que o grande desafio dos jornalistas que estão entrando nessa área é fazer a transição para um novo modelo de negócios. “A forma de produção de notícias é a mesma, mas a tecnologia reforça o modelo vertical”, analisa. O desafio é ainda maior para os jovens jornalistas, que precisam fazer a transição geracional da velha redação para um novo formato, ainda não estabelecido, ao mesmo tempo em que acompanham o ritmo da evolução tecnológica. “Como as tecnologias são disruptivas, a cada dia tem uma nova, entrando no mercado”. E aposta: “O modelo daqui para frente será mutante”.

Mas Dal deixa claro que o que está em xeque é o modelo de negócios, não o jornalismo. “Precisamos olhar para a frente com a certeza de que a sociedade vai continuar precisando do jornalismo, que segue sendo vital para a democracia”.

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