As redes internacionais de pesquisa em jornalismo também foram assunto do 16º Congresso da SBP JOR, realizado de 7 a 13 de novembro em São Paulo. São redes que estão se expandindo e consolidando porque estamos num mundo globalizado, onde é crescente o número dos que defendem a flexibilização das fronteiras, além do fato de o jornalismo ter desde sempre a vocação da internacionalidade. Nesse contexto, torna-se cada vez mais necessário pesquisar e compreender quais os traços comuns aos jornalistas de todo o mundo, assim como suas especificidades, de acordo com os professores presente no evento.

A experiência da rede The World of Journalism Study (o mundo do estudo do jornalismo) foi uma das relatadas no seminário. A professora Sônia Virgínia Moreira (Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ), integrante da rede, afirmou que o primeiro projeto ou wave (onda), como denomina a entidade, foi de 2007 a 2011, quando a pesquisa foi realizada em dez países. Na segunda onda, de 2012 a 2016, na pesquisa para traçar o perfil internacional dos jornalistas, o número de países aumentou para 67. Na segunda onda, foram entrevistados 27.500 jornalistas.

A expectativa para a terceira onda, que vai de 2020 a 2022, é que chegue a 100 o número de países onde a pesquisa será realizada. De acordo com a professora, no Brasil o desafio é aumentar número de jornalistas entrevistados, que já vem crescendo de forma expressiva, tendo passado de 50 na primeira onda para 376 na segunda.

O objetivo da rede é ajudar pesquisadores, profissionais, administradores de mídia e formuladores de políticas para o setor a ter uma visão mais completa do mundo jornalismo, assim como verificar as condições e limitações sob as quais os jornalistas trabalham.

Outra experiência de rede internacional de pesquisa foi o Brics Project, envolvendo os países de economia emergente (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), apresentada pela professora Cláudia Lago (Universidade de São Paulo – USP) e integrante do programa. O escopo geral é comparar os sistemas de mídia e as teorias de jornalismo nesses países.

Uma das iniciativas desta rede internacional foi uma pesquisa realizada de 2012, quando iniciou suas atividades, a 2015. Foram realizadas 729 entrevistas, sendo 144 no Brasil, 144 na Rússia, 145 na Índia, 146 na China e 150 na África do Sul. As entrevistas foram realizadas pessoalmente em quatro municípios de cada país, duas metrópoles e duas cidades menores.

Os dados encontrados, segundo relatou a professora Raquel Paiva, coordenadora da equipe do Brasil, numa entrevista ao portal Carta Maior, foram semelhantes a de outras pesquisas realizadas no país. Ou seja, o jornalismo como uma profissão exercida cada vez mais pelos jovens, com salários baixos, mas que ainda acreditam na função social da imprensa.

Mais informações sobre as duas redes nos links abaixo:

http://www.worldsofjournalism.org/

https://research.uta.fi/brics/introduction/

 

NOTA: O jornalista Antonio Graça acompanhou o congresso da SBJ JOR e, como colaborador da Associação Profissão Jornalista (APJor), produziu esta séria de matérias publicadas em nosso site.

 

 

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