Um dos nossos principais projetos para a próxima gestão da Associação Profissão Jornalista – que terá eleição da diretoria e do conselho fiscalizador da gestão em março – era iniciar uma ampla articulação para construir uma Rede de Proteção ao Jornalista em Situação de Risco. 

Evidentemente nunca pensamos que uma iniciativa dessa envergadura poderia ser tomada de maneira isolada por nós ou por qualquer outra organização de jornalistas no país. Pelo seu alcance e pelos recursos que demanda, precisa ser feita por várias organizações, com a participação de muita gente. 

Já vínhamos falando com a Federação Nacional dos Jornalistas para que fosse tomada uma iniciativa nessa direção, assim como implementamos, junto com o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, o Plantão em defesa dos jornalistas ameaçados no segundo turno das eleições de outubro. 

Boa surpresa

 Qual não foi nossa surpresa – agradável surpresa – quando tomamos conhecimento da realização, em São Paulo, nos dias 4 e 5 de dezembro, do Encontro Nacional de Proteção a Comunicadores, iniciativa do Instituto Vladimir Herzog, Artigo 19, Repórteres sem Fronteiras, Abraji e Intervozes. 

O objetivo do Encontro? “Construir uma rede nacional de pessoas e de instituições que atuem concreta e efetivamente na proteção de comunicadores e criar estratégias para dar visibilidade à realidade de ameaças à liberdade de expressão em todo o país”. 

Mesmo sabendo da sua existência na véspera, participamos do Encontro. Assistimos a falas e a um debate muito rico sobre as ameaças realizadas a jornalistas, radialistas e comunicadores populares.

 Censura: o grande objetivo de quem ameaça 

Há diferentes tipos de situações que podem ser encaixadas sob o guarda chuva das ameaças a jornalistas e comunicadores. No entanto, quase todas têm um ponto em comum: a prática da censura, a tentativa para impedir que informações de interesse público sejam veiculadas. 

Pensando nessa questão, propusemos que a Carta de Princípios que será redigida tenha como ponto fundamental a afirmação de que a existência de uma Rede de Proteção tenha como primeira finalidade, antes de mais nada, lutar para que as ameaças a comunicadores não se concretizem. 

Próximo passo

A proposta foi bem recebida pelos presentes, assim como muitas sugestões para que a Rede venha a ser efetivamente de defesa de jornalistas e comunicadores em geral, trabalhando contra a censura e pela liberdade de expressão de maneira ampla e eficaz. 

Foram montados grupos de trabalho temáticos que têm até março de 2019 para preparar o projeto da Rede.

FOTO: Instituto Vladimir Herzog

 

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