A Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) terá como titular o publicitário Floriano Barbosa de Amorim, mas ficará subordinada, de fato, a um dos generais do ministério do presidente eleito Jair Bolsonaro.

A Secom foi transferida da Secretaria Geral da Presidência, que terá à frente Gustavo Bebianno, para a Secretaria de Governo, cujo titular será o general Carlos Alberto Santos Cruz.

Segundo informou O Globo, a mudança na Secom foi mais um capítulo da queda de braço entre o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), filho do presidente eleito, com Bebianno.  

Inicialmente, a Secom ficaria sob o guarda-chuva da Secretaria Geral da Presidência, mas como a vontade de Carlos prevaleceu na indicação deAmorim, Bebianno entregou a área para a Secretaria de Governo.

Floriano Amorim é assessor do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), outro filho do presidente eleito.

A questão é saber se um militar é o perfil mais adequado para dar as ordens e formular as diretrizes na comunicação do Governo Federal, uma área politicamente muito sensível, principalmente no que se refere à relação com a imprensa, que exige capacidade de negociação e pelo menos familiaridade com a lógica e dinâmica do jornalismo e as demandas dos jornalistas.

Nos quartéis, os generais dão ordens e elas são cumpridas sem discussão. Na política, na comunicação e particularmente na imprensa não é bem assim que as coisas acontecem.

Além disso, não têm sido nada auspiciosas as declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro sobre a imprensa, a exemplo do que disse no seu discurso na cerimônia de sua diplomação, no dia 10 de dezembro deste ano.

Como observou a colunista Eliane Cantanhêde, do Estadão, foi estranho que Bolsonaro tenha usado sua diplomação “para dar uma canelada na mídia”.

Comenta a colunista: “No novo tempo, segundo ele (Bolsonaro) ‘o poder não precisa mais de intermediação. E fez questão de especificar que falava das ‘novas mídias, quer permitiram uma relação direta entre eleitor e seus representantes’.

Jornais, revistas, rádios e TVs são canais não só tradicionais, mas também legítimos e de grande alcance para a mediação entre poderosos e sociedade, eleitos e eleitores. Dispensá-los, ou desdenhá-los, é apostar numa anarquia de comunicação entre os três Poderes e os cidadãos e cidadãs”.

Segundo Cantanhêde, as novas mídias são importantes e vieram para ficar, mas carregam um perigo: a difusão rápida e irresponsável, muitas vezes paga, de mentiras, manipulações e falsificações grosseira dos fatos, tanto a favor quanto contra.

Múltipla atuação

A Secom é um órgão com atuação em diversas áreas da comunicação. Ela é responsável pela comunicação do Governo Federal, coordenando um sistema que interliga as assessorias dos ministérios, das empresas públicas e das demais entidades do Poder Executivo federal.  

A Secretaria Especial pode convocar redes obrigatórias de rádio e televisão para a transmissão de pronunciamentos oficiais do presidente da República e dos ministros de Estado.

Segundo consta do seu site, a secretaria opera no âmbito da imprensa, da publicidade do Governo Federal, da comunicação digital, da comunicação internacional, dos patrocínios, como os culturais e esportivos, da pesquisa sobre o consumo de mídia pela população brasileira e também em eventos.

Especificamente sobre a relação com a imprensa, a Secom afirma que “transparência e profissionalismo são os eixos norteadores” de sua atuação, na tarefa de divulgar atividades e decisões do presidente da República para os diversos públicos, formados por profissionais da imprensa ou não.

Ainda segundo seu site, a Secom “oferece ferramentas variadas que proporcionam uma comunicação ativa”, por meio da qual os jornalistas são atendidos pessoalmente, por telefone ou por email.

A APJor solicitou à Secom informações sobre o valor da sua verba ou orçamento. Até a edição desta matéria as informações não tinham sido fornecidas. Mas uma reportagem da publicação Meio&Mensagem, especializada em propaganda e publicidade, de maio de 2017, informou que em 2016 o investimento em publicidade do governo federal foi de R$ 1,5 bilhão.A área de patrocínios da Secom tem recursos da mesma ordem de grandeza.

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