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Para se adaptar ao mundo digital, o jornalista terá de quebrar paradigmas, aprender novas técnicas e focar no leitor/consumidor como o seu novo patrão.

Você sabe como aumentar o seu tráfego orgânico utilizando estratégias de SEO? Para um jornalista da “velha mídia” essa pergunta provavelmente será respondida com um sonoro “O quê!?”. Pois é, no entanto, ela se torna a cada dia mais fundamental para a sobrevivência dos jornalistas.

Grande parte dos profissionais desempregados que conheço continua a buscar trabalho da forma tradicional, isto é, enviando currículos, procurando frilas nos veículos tradicionais, fazendo contatos com colegas empregados, focados apenas nas suas habilidades específicas de jornalista. Os resultados tem sido desanimadores.

O problema, para o consultor e diretor acadêmico na Digital House Brasil, Edney Souza, é que só agora “ficha começou a cair” para os jornalistas. Segundo ele, a grande maioria das profissões vem passando por transformações radicais já há algum tempo pressionadas pelo poder disruptivo da tecnologia. Para os jornalistas, esse momento demorou, mas agora cai como um raio, na era da rede distribuída, dos móbiles e dos apps, provocando mudanças aceleradas no perfil da profissão.

Mas isso não é a morte da profissão

A boa notícia é que na mesma velocidade em que morrem os dinossauros da imprensa, novos canais de informação pululam na internet. Em artigo para o Nocaute, sobre o tema, o jornalista Evilazio Gonzaga observa que mais de 70 milhões de brasileiros já seguem os dez mais importantes portais de jornalistas na internet, entre eles Brasil247, DCM, Nocaute, Revista Fórum, Carta Capital, Viomundo, O Tijolaço, Conversaafiada e a edição brasileira do El Pais. Enquanto isso, a edição diária da Folha não chega a 70 mil leitores.

Em outras palavras, o que estamos vivendo não é a morte do jornalismo, ele apenas está passando de lagarta à borboleta, uma metamorfose que não acontecerá sem dores, com certeza. Antes de bater as asas e sair por aí voando, o jornalista terá de se adaptar ao novo mercado e, para isso, quebrar paradigmas. Por exemplo, nesse novo cenário, o jornalista precisa mirar, mais do que nunca, no seu “consumidor final” e não mais no seu patrão. O consumidor final passa, afinal, a ser o seu patrão, aquele que remunera o jornalista pelo seu trabalho.

O modelos de negócio estão aí

E por falar em remuneração, um dos principais gargalos para a inclusão do jornalismo profissional na internet tem sido, até agora, a forma como o leitor paga pela informação que consome. Segundo Edney Souza, já existem alguns modelos de negócio jornalístico que prosperam atualmente na internet, com seus prós e contras.

O velho modelo de financiamento publicitário, que copia a velha mídia, é incapaz de sustentar o negócio de jornalismo digital, principalmente porque as verbas publicitárias têm desaguado majoritariamente na conta das gigantes Google e Facebook, assegurou Souza, na semana passada, falando para uma plateia de jornalistas, no campus da Digital House, em São Paulo. Mesmo com os AdSenses, pequenos sites não têm conseguido sobreviver com receita de anunciantes.

Outro modelo que tem dado certo, mas também contempla plataformas globais, como o New York Times e o Whashinton Post, na opinião de Souza, são os paywalls, que enfrentam ainda problemas como a concorrência dos conteúdos abertos e as facilidades para driblar as barreiras de acesso ao material jornalístico.

O consultor vê com bons olhos o formato de micro pagamentos, que alguns canais têm instituído, tais como o Medium e o Nexo, além dos modelos de financiamento coletivo (crowdfunding) e o mecenato, formatos que têm suas especificidades e funcionam melhor ou pior de acordo com os conteúdos oferecidos.

É preciso agregar valor ao conteúdo

Mas esse não é o único entrave à transição do jornalismo analógico para o digital. O profissional precisa se adaptar também às novas exigências do leitor/consumidor, que prioriza mais a conveniência, a qualidades do conteúdo e as linguagens digitais. Edney Souza sugere que o novo profissional desenvolva conteúdos estruturados, que facilitem a visualização ou a leitura, que tenha ritmo, criatividade e dê ênfase às imagens, como forma de agregar valor ao material oferecido ao seu leitor.

Outra preocupação do jornalista digital deve ser a visibilidade do seu conteúdo na rede. Não se trata apenas de divulgar no Twiter ou no Instagran, mas de adotar mecanismos que facilitem o aparecimento do material nas buscas orgânicas na internet (SEO), tanto em aspectos tecnológicos quanto de formatação desse material. O papel dos algoritmos nas buscas e na propagação do conteúdo deve estar presente no processo de produção do jornalista, desde a pauta.

O “sonho de sucesso” para o novo jornalista é ser o tema das conversas na internet. Depois de encontrar o conteúdo que deseja, o leitor/consumidor precisa dar atenção a ele – quanto mais tempo melhor. Para isso, a qualidade é mais importante que a quantidade. É a qualidade que vai gerar o compartilhamento, que vai gerar as conversas. Ou seja, é preciso ir além dos likes, o consumidor precisa comprar o conteúdo.

*Celso Bacarji é diretor da APJor

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