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Categoria: Jornalismo
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O Comprova foi uma batalha vitoriosa e exemplar na guerra contra as fake news, que já se tornaram um problema geopolítico. Mostrou que há armas para combatê-las e que nem a mídia nem o público vão submergir no mar da desinformação.

Criado para identificar e revelar fake news durante doze semanas que antecederam a eleição presidencial do ano passado, o programa teve seu relatório final e detalhado apresentado no 14º Congresso da Abraji, realizado de 27 a 29 de Junho, em são Paulo.

Coordenado pela Abraji, a partir de uma iniciativa da ONG First Draft e patrocinado pelo Google News Initiative e Facebook Journalism Project, o Comprova reuniu 24 veículos de comunicação e nele trabalharam 59 jornalistas. Integraram a coalizão, entre outros, Estadão, Folha de S. Paulo, Veja, UOL, Rede Bandeirantes e SBT

 “Constituiu um desafio reunir tantos veículos, de diferentes linhas editoriais, mas a coalizão foi bem sucedida”, afirmou Daniel Bramatti, presidente da Abraji.

Fotomontagens e mamadeiras eróticas

Foram publicadas, ao longo do projeto, 146 investigações de conteúdos de redes sociais e aplicativos de mensagens, das quais somente 8% mostraram-se verdadeiras. As verificações constataram, por exemplo, que uma foto com o agressor de Bolsonaro ao lado de Lula era montagem e que “mamadeiras eróticas” não foram distribuídas em creches pelo PT.

O material ficou à disposição de toda a mídia, desde que a fonte fosse mencionada. Com base nos relatos do projeto, os parceiros da coalizão publicaram 1.750 matérias, entre reportagens e artigos.

O Comprova utilizou a metodologia CrossCheck (checagem cruzada).Segundo explicou Ângela Pimenta, diretora de operações do projeto, significa revisar e aprovar os passos de verificação adotados por outra redação, acrescentar o logo de sua organização junto ao de outros parceiros que contribuíram para o trabalho e então ampliar o alcance do relato para o público.

Durante o programa, foi realizada uma pesquisa por meio das próprias contas e website do Comprova, além das redes sociais e sites dos integrantes da coalizão, da qual participaram 715 pessoas. Segundo o relatório, a audiência pesquisada tinha a coalizão em alta conta: 79,6% concordaram total ou parcialmente com a afirmação de que o Comprova era confiável; 81,5% concordaram total ou parcialmente que era preciso e 76,49% que era justo. Mais de 70% dos pesquisados disseram ter compartilhado ou discutido os desmascaramentos do Comprova para informar alguém.

Trabalho colaborativo é “extremamente enriquecedor”

Além de revelar fake news, o Comprova mostrou aos veículos e aos jornalistas que trabalhar em colaboração é extremamente enriquecedor para todos. Ensinou também que as redações não precisam necessariamente ser sempre competitivas e que podem atuar juntas por um objetivo maior e comum.

Durante o evento, a Abraji anunciou o lançamento do Comprova 2, agora com um papel mais educativo e focado em combater a desinformação sobre políticas públicas na Internet. “Neste ano não teremos eleições, mas verificamos que grupos politicamente motivados seguem impulsionando a circulação de falsidades. Além de desmentir boatos, o projeto buscará explicar políticas públicas e prestar um serviço à população’, afirmou Bramatti.

O relatório completo do Comprova  pode ser lido no site do First Draft.

Antônio Graça é associado da APJor e acompanhou o congresso da Abraji.

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