Roda de conversa discutiu a urgência de um modelo de jornalismo digital que atenda às demandas de informação de interesse público, apontando para soluções coletivas e horizontais.

A Associação Profissão Jornalista (APJor) esteve presente durante o Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental (CBJA), que aconteceu nos dias 9 e 10 de agosto, no Unibes Cultural, em São Paulo (SP). Além de ter contribuído de forma ativa em todo o evento, a associação foi responsável por conduzir uma das rodas de conversa, com o tema Profissão Jornalista.

Comandada pelo presidente da APJor, jornalista Fred Ghedini, acompanhado pela vice-presidente e pelo diretor de comunicação da associação, jornalistas Caru Schwingel e Celso Bacarji, respectivamente, a roda debateu o jornalismo enquanto profissão e os caminhos possíveis para as mudanças necessárias contando com ativa participação de quem esteve presente na conversa.

O exemplo do jornalismo ambiental

Caru Schwingel abriu a conversa falando sobre a importância do jornalismo ambiental para a sociedade como um todo e para a profissão como um modelo a ser seguido. “A grande questão que vivemos vem da ideia de uma sociedade em rede, conectada e o jornalismo ambiental pratica isso há 20 anos, com as tecnologias do jornalismo digital. É um jornalismo extremamente pioneiro, que e atua de uma forma horizontal, transversal, com troca de saberes, sem um início, sem um polo de emissão, mas sim com todos participando”, disse Caru.

E neste momento, mais do que nunca, a criação desta rede entre jornalismo e sociedade se faz ainda mais importante, conforme pontuou Fred. “O que enfrentamos neste momento é uma situação muito difícil do jornalismo padrão. O momento é de unir as organizações de jornalismo para que os jornalistas apareçam além das marcas, além do nome dos veículos. O nosso desafio é fazer o jornalista aparecer como profissional para a sociedade, assumindo a sua responsabilidade, aquela para qual ele se formou, a informação com veracidade, dentro da realidade de cada pessoa. Mas não podemos fazer isso sozinhos”.

Já para Celso Bacarji, agora é a hora de o jornalismo caminhar sozinho, sem dependência financeira de empresas. “Sinceramente eu acredito que este seja o momento da independência do jornalismo. Não precisamos mais dispor de parque industrial como o da Abril, do Estadão, por exemplo, com financiamento do BNDS ou bancos internacionais. Nós temos a internet que nos coloca cara a cara com o leitor.

Bacarji acredita que é preciso resolver com urgência o problema da monetização do jornalismo na internet. Encontrar um modelo adequado para que o jornalista ganhe o seu pão de cada dia, exercendo o seu trabalho na rede. “E isso não é impossível de resolver, com tecnologias que já estão disponíveis, mas não conseguimos ainda por conta do monopólio das empresas de tecnologia, que capturam hoje a maior parte das verbas publicitárias do planeta”, explica ele.

Outro ponto primordial para o sucesso de um modelo de jornalismo na internet é a cooperação, capaz de gerar escala. “A informação pode ser muito barata se for negociada em escala. Não serei eu, que escrevo sobre meio ambiente, sozinho, que vou atrair um grande público e gerar escala. Mas se cada um de nós produzir e escrever para um único portal, na área que gostamos, aí sem poderemos atrair o grande público”, finalizou Bacarji.

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