Desde quando foi criada, em outubro de 2016, a Associação Profissão Jornalista (APJor) tem insistido para que os jornalistas não contribuam, direta ou indiretamente, para ações que possam ampliar as ondas de ódio geradas por manifestações destemperadas em nossa sociedade. 

Nós, jornalistas, precisamos manter fundamentalmente uma postura ética: defendemos a divulgação da verdade, o direito à vida e os demais direitos humanos, ou seja, os avanços civilizatórios citados no Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros. 

É exatamente por isso que repudiamos o lamentável episódio que envolveu, hoje, dois jornalistas célebres: Augusto Nunes, da Record TV e do R7, e Glenn Greenwald, do Intecept Brasil, no estúdio da rádio Jovem Pan em São Paulo, durante o programa Pânico. Depois de insultar Greenwald e sua família —tratou-o como alguém que trabalha com “material roubado” e desrespeitou seus cuidados com os filhos—, Nunes foi chamado de “covarde” pelo interlocutor e reagiu imediatamente com bofetadas. 

Manifestamos a mais absoluta solidariedade ao jornalista do The Intercept Brasil e repudiamos a reação destemperada de Augusto Nunes. A APJor também chama a atenção para o fato de que os jornalistas responsáveis pelo programa, numa terrível falha ética, não avisaram previamente Glenn Greenwald da presença de Augusto Nunes, medida que teria certamente evitado o incidente. 

Jornalismo é ética. Sem ética pessoal e profissional, não há Jornalismo! 

São Paulo, 7 de novembro de 2019.

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