O jornalista potiguar Leo Arcoverde se define como um “tarado” na Lei de Acesso à Informação (a Lei Federal nº 12.527/2011), documento citado em todas as matérias que ele publica no site Fiquem Sabendo (www.fiquemsabendo.com.br).

 

Agência de jornalismo de dados independente em plataforma aberta e gratuita, o Fiquem Sabendo tem como objetivo levantar informações sobre dados públicos que, em geral, os governos não querem que chegue ao conhecimento da sociedade.

A Lei é a inspiração de Leo que, no ano passado, após ser demitido do jornal Agora São Paulo, aplicou suas verbas rescisórias em um projeto pessoal: trabalhar com esse instrumento legal tão importante e que poucos conhecem.

“Me interessa muito a questão dos dados públicos”, diz o jornalista de 31 anos, casado e pai de um filho pequeno, formado pela UFRN e que já passou pelas redações do Diário de Natal e Caros Amigos.
Foi apoiado na 12.527 que ele conseguiu dados inéditos, bem antes grande imprensa, de que o número de reclamações por falta de água feitas por clientes à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) havia mais que triplicado nas regiões da Sé (centro), Ipiranga (zona sul) e São Mateus (zona leste) entre janeiro e julho deste ano na comparação com o mesmo período de 2014.
(http://www.fiquemsabendo.com.br/2015/09/reclamacoes-por-falta-dagua-triplicam-na-se-ipiranga-e-sao-mateus) Ou que o valor repassado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) por meio de bolsas de mestrado e doutorado havia sido cortado em R$ 9 milhões entre janeiro e setembro de 2015 comparado com o mesmo período do ano passado.

Com base na Lei, Leo “fuça” em todos os temas que interessam à população e nem sempre são abordados pela grande imprensa.

O site, porém é a ponta de lança de um projeto maior, de educação e informação para que o público tenha realmente acesso à informação.

Embora não tenha ainda um modelo de negócios estruturado, o jornalista pretende viabilizar financeiramente o site através de parcerias com possíveis patrocinadores que podem ter interesse em dados específicos – por exemplo, o número de roubos de carros segurados que a polícia não abre e pode ser de interesse de seguradoras.

Além disso, pretende montar cursos para profissionais que queiram trabalhar com a Lei de Acesso à Informação. Atualmente cursando o quarto ano de Direito, Leo quer continuar fazendo jornalismo, sua formação original, mas quer se especializar e se dedicar cada vez mais a essa legislação e, nesse sentido, o Direito é uma ferramenta para obtenção e compreensão dos dados.

“Quero dar minha contribuição para que essa lei seja efetiva”, afirma Leo.

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