A proposta do projeto Brio, é “empoderar o jornalista para exercer a profissão com retorno financeiro”

Você não sabe como será sua vida depois de formado? O que você estudou na faculdade não foi suficiente para te preparar para o mundo real? Você já acumulou experiência mas sente que, para seguir em frente numa indústria em crise, é preciso se renovar? Você não é jornalista, mas gostaria de aprender a escrever como um jornalista?
As perguntas acima fazem parte da chamada de capa do site do Brio, uma startup criada por um grupo de jornalistas com o objetivo de produzir conteúdo jornalístico de qualidade e, agora, prestar um serviço de mentoria destinado à “capacitação e empoderamento do jornalista”, como define Ednilson Valia, chefe de planejamento comercial do empreendimento.

A APJor procurou o Brio para conhecer melhor suas propostas, entendendo que há uma identidade de princípios entre as duas entidades, empenhadas em apoiar o jornalista no desenvolvimento de suas atividades no ambiente de Internet. Em uma conversa informal, reuniram-se com Ednilson o presidente da APJor, jornalista Fred Ghedini, o conselheiro da entidade, jornalista Celso Bacarji e Marlene Silva, organizadora dos eventos promovidos pela Associação.

Alinhado com um dos principais objetivos da APJor, o foco do trabalho do Brio é dar ferramentas para que o jornalista encontre soluções para superar a grave crise enfrentada pela atividade atualmente, impactada pelas rápidas transformações tecnológicas ocorridas na área das telecomunicações e agravadas pela crise econômica e social do País. Um cenário que coloca às margens do mercado de trabalho centenas, senão milhares, de profissionais, sejam recém-formados ou experientes.

Lançado no início de dezembro, o programa já conta com a participação de 30 jornalistas experientes, como mentores, e 70 vagas preenchidas. De acordo com Ednilson, a proposta é “ajudar esses profissionais a se reescreverem como jornalistas”, capacitando-os para enfrentar a nova realidade da profissão, que exige, por exemplo, “uma capacidade especial de criar e vender pautas de valor”.

Por R$ 479, o Brio oferece um pacote de serviços, válido por seis meses, que inclui desde uma análise do perfil profissional do candidato para orientação de carreira, até um passo a passo sobre como abrir uma MEI (Micro Empreendedor Individual), além de orientações de como captar informações e escrever a matéria.

De acordo com Ednilson, a questão da pauta é fundamental para a mentoria do Brio. “Nós ajudamos o candidato a montar uma pauta de trabalho, que será um guia para o desenvolvimento da reportagem, e uma pauta que serve para oferecer a matéria aos veículos”, explica ele, observando que, dependendo da qualidade da pauta, o próprio Brio ajuda o profissional a negociá-la com o mercado.

Além disso, o pacote oferece dezenas de cursos em vídeo, que ensinam como organizar o tempo, como manter o foco, como obter informações dos órgãos públicos para fazer uma reportagem, como consultar os sites, como manter a meta, acesso ao curso online do "The Independent", com mais de 16 horas de videoaulas, entre outros.
Para o presidente da APJor, as duas entidades têm grande potencial para trabalhem em parcerias que se complementem em atividades muito importantes para a profissão.

“Nós estamos muito mais para trabalhar juntos, de forma orgânica, do que para uma parceria comercial, desenvolvendo atividades complementares em coisas muito importantes para a profissão”, avalia Fred.

Ednilson, que também conheceu melhor, na conversa, a proposta da APJor, acredita que é possível definir algumas linhas de trabalho em que as duas entidades desenvolvam projetos conjuntos. Para ele, o jornalista atual precisa discutir sua própria relação com a profissão e entrar na discussão sobre o seu futuro, enxergando a APJor, nesse cenário, como uma entidade de referência.

Ele destaca que algumas iniciativas inovadoras de jornalistas, na rede, têm dado bons resultados, como a Agência Pública (https://apublica.org/), os Jornalistas Livres (https://jornalistaslivres.org/), a Ponte (https://ponte.org/), entre outras. Mas assinala que ainda há muitos projetos de qualidade que não conseguem se viabilizar por falta de um modelo de monetização do jornalismo na internet. “Nós precisamos de instituições que possam nos referenciar e nos orientar nessa tarefa, e acho que a APJor pode ser uma referência”, disse ele.

Ao final, os representantes da APJor e do Brio decidiram marcar um novo encontro para uma troca de “cartas de intenções” sobre como as duas entidades podem trabalhar juntas em projetos de interesse da profissão.

 

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